A DOR DA PARTILHA

A DOR DA PARTILHA

Agora pela manhã, conversando com um amigo muito especial, Marcelo,  tudo azul e só sucesso, como ele sempre diz quando ligo com problemas técnicos do programa da nossa loja. Ele fez e sempre faz uns comentários que me acrescentam como pessoa, e disse uma frase muito PERFEITA e que compila os meus sentimentos:

“O SOFRIMENTO COMPARTILHADO É SOFRIMENTO VENCIDO PELA METADE. E ALEGRIA COMPARTILHADA É ALEGRIA DOBRADA”.

Depois que montamos o BLOG recebi inúmeros elogios, posts emocionados e emocionantes e muitos me parabenizaram pela minha coragem em escrever. Mas para eu chegar até aqui hesitei muito como disse no meu primeiro post.

Mas voltando a reflexão da frase acima, me lembro dos primeiros dias que descobrir o diagnóstico de Paralisia Cerebral, que me fechei em mim mesma, é a única vontade que eu tinha era CHORAR e Chorar. Tudo era motivo de choro de uma fralda mal trocada a um abraço apertado, eu chorava. Nas horas de hospital onde eu chegava antes das 9h da manhã e só saia quando as enfermeiras me expulsavam ás 22h, as horas passavam e eu só queria ter a Valentina no colo e chorar minha dor.

Por muitos dias eu somente a olhava e tocava, não conseguia FALAR nada para ela, então eu CANTAVA, só cantava. Falar exigia expor sentimentos e dor e eu não estava preparada para falar, por que se eu começasse eu iria chorar e não queria que ela me visse chorando.

Queria passar FORÇA onde não tinha, pois ME SENTIA FRACA, IMPOTENTE, TRISTE e DESAMPARADA POR DEUS. Nossa que forte né, desamparada por Deus. SIM isso é real e muitas pessoas sentem-se assim mas não verbalizam pois é “FEIO OU RUIM”. Sobre isso vou postar um dia sobre a minha relação: MI e DEUS.

Então, voltando ao que não conseguia falar, eu CANTAVA, mas eu cantava uma música só e nem sabia direito o refrão eu adaptava (kkk) e minha FILHA se acalmava com a minha voz de gralha cantando.

Eu cantava a música de Consagração a Nossa Senhora: ” Oh, minha Senhora e também minha mãe eu me ofereço inteiramente toda a vós…..” e nesse momento que escrevo as lágrimas vem a tona pois foram momentos de muita DOR da ALMA. Então eu cantava o DIA INTEIROOOOO mesmo e já dei a ela a tal “colite” (colo em excesso) na UCI, por que eu NÃO a largava no bercinho. Eu tinha a NECESSIDADE dela estava no meu colo e não ela que necessitava.

E nesses dias eu recebia a visita da Dalete (aleitamento) me ajudou muito a fazer fluir o leite dos meus seios, pois eles empedravam muito, eu tinha bastante mas não tinha estímulo da sucção então imaginem sofri mas venci com ajuda dela. E foi para ela a Lylian Dalete que chorei pela primeira vez compulsivamente quando o diagnóstico de PC foi dado. Eu digo que foi DEUS que a mandou lá no exato momento que a NEURO havia saído após me dar a BOMBA do diagnóstico, pois naquele momento só estava eu e a equipe de UCI e a minha meninha.

E sabe o que me vinha na cabeça: minha filha só vai babar, vai vegetar, vou ter um fardo …………..   Eita que  visão torpe!!!

E eu sofria por antecipação e por IGNORÂNCIA.  Que visão limitada e ruim eu tinha. Mal sabia eu,  de tantos casos LINDOS e de Sucesso de pessoas com PC.

Bom, ela tentou me acalmar mas tive enxaqueca emocional, meu leite parou de descer por conta do nervoso, passei mal, não queria mais ficar no hospital, queria ir para casa e me trancar no quarto e chorar pitangas.  Fui para casa CHORAR mesmo, pois aquele dia o meu mundo desabou e eu me sentia a pior das piores.

Daí a eterna DUALIDADE de mãe apontava, como eu tinha coragem de deixar a minha filha no hospital e ir para casa CHORAR.  Sim.. eu precisava CHORAR E MUITO.

E o quem tem haver o texto:  “O SOFRIMENTO COMPARTILHADO É SOFRIMENTO VENCIDO PELA METADE. E ALEGRIA COMPARTILHADA É ALEGRIA DOBRADA”, foi quando expus pela primeira vez meu sentimento e dores, as situações mudavam a minha visão. O choro e o falar me aliviava e deixava cada vez mais o fardo menos pesado. Mas não era com todo mundo que eu podia conversar não, pois tem gente que só quer especular a dor e não partilhar ela.

Minha terapeuta na época, Márcia Sel, ia me ver lá no hospital e vinha em casa também, pois me ENCLAUSUREI na minha dor e por muito tempo me tornei vítima dela.

A partir do momento que VOMITEI as minhas dores da alma, o mal estar foi indo embora e voltou a dar vida ao meu corpo e a alegria foi voltando aos poucos.

Fiquei  7 meses sem ir na loja pois sabia que lá eu TERIA que falar da Valentina e seu problema, mas não estava pronta ainda para verbalizar ao mundo.  Eu estava em processo de aceitação pessoal e vivendo o luto do filho ideal. Durante esse tempo eu conversava muito com meu esposo, e chorava também, mas ele segurou a barra legal, alguém tinha que estar bem (kkkk).

Quando saí do fundo do poço , foi a hora dele entrar, então era a minha vez de segurar a barra.  Foi nesses momentos que eu entendi o real significado do “SUPORTAI-VOS uns aos outros” (Colossenses 3).  Ele me deu suporte e eu a ele.

E Viva o AMOR!!!! e VIVA A DOR!!!! e seus valores e mudanças….

E quando o tema é partilhar dores e sofrimentos para a CURA É espetacular e essencial.

Hoje me sinto a cada dia mais curada e renovada com a partilha, razão deste BLOG.

E a segunda parte da frase é expressado no semblante sorridente e feliz da nossa Família.

Muito feliz em poder partilhar e AJUDAR !!!!

Um FELIZ 2016 RECHEADO de muita PARTILHA E MUITA ALEGRIA!!!!!!!!!!

Até 2016…

Beijos da Mi, PC e Valentina.

Viagem a Itália !

BEM VINDO À ITÁLIA!

“Freqüentemente me pedem para descrever a experiência de dar à luz uma criança portadora de necessidades especiais.  Eu diria assim:

Ter um bebê é como planejar uma fabulosa viagem de férias para a Itália. Você compra um monte de guias e faz planos maravilhosos: o Coliseu, o Davi de Michelangelo, as gôndolas em Veneza… Você até aprende algumas frases em italiano. É tudo muito excitante.
Após meses de antecipação, finalmente chega o grande dia.

Você arruma as malas e embarca. Algumas horas depois, você aterrissa. O comissário de bordo chega e diz: “Bem-vindo à Holanda!”.

Holanda? – diz você. O que quer dizer com Holanda? Eu escolhi a Itália! Eu devia ter chegado à Itália. Toda a minha vida eu quis conhecer a Itália!

Mas houve uma mudança no plano de vôo. Eles aterrissaram na Holanda e é lá que você deve ficar. O mais importante é que eles não levaram você para um lugar horrível e desagradável, com sujeira, fome e doença. É apenas um lugar diferente.

Você precisa sair e comprar outros guias. Deve aprender uma nova língua e irá encontrar pessoas que jamais imaginara. É apenas um lugar diferente. É mais baixo e menos ensolarado que a Itália. Mas, após alguns minutos, você pode respirar fundo e olhar ao redor.
Começa a notar que a Holanda tem moinhos de vento, tulipas e até Rembrandt e Van Gogh. Mas, todos os que você conhece estão indo e vindo da Itália, comentando a temporada maravilhosa que passaram lá.

Por toda a sua vida você dirá: Sim, era onde eu deveria estar. Era tudo o que eu havia planejado.

A dor que isso causa, nunca, nunca irá embora, porque a perda desse sonho é uma perda extremamente significativa.

No entanto, se passar toda a vida remoendo o fato de não ter chegado à Itália, nunca você estará livre para apreciar as coisas belas e muito especiais existentes na Holanda.”                  

Emily Perl Knisley

A primeira vez que li esse texto foi no consultório da Tia Marta (fisioterapeuta) da Valentina, fisio que faz desde os 45 dias de vida, aliás faz desde o dia que nasceu.  A Tia Marta é a pessoa de nível terapêutico que mais me ajudou  e ajuda ainda. Teremos o dia do post dela… e vocês conhecerão o ser incrível que ela é…

Mas vamos seguir ao texto.

Estava passando pelos piores dias da minha vida de cunho emocional. Com muitas descobertas, muitas fichas caindo, processo de passagem pelo luto do filho ideal para o filho real.. enfim.. o pó da bagaceira …. Um dia contarei algumas coisas que senti ao me  aprofundar em minha dor. Hoje não é dia de contar ainda…

O texto da viagem da Itália caiu como uma bomba…. EU QUERIA A ITÁLIA SIMMMMMM….. Ainda não conseguia ver a beleza da Holanda, mesmo sabendo que era linda… MAS QUERIA A ITÁLIA!!!!

AHHH como eu queria poder ir na Torre de PIZZA, como eu queria ser ” NORMAL”.

Eu queria que o tempo pudesse voltar e eu pudesse tomar outras decisões.

Mas enfim estava passando pela dor, pelo sofrimento, pelo pensar de como os outros iriam pensar, como eu iria encanar o mundo, os preconceitos…. etc, etc, etc……

Dores sem fim, culpa gigante, remorso imenso e uma mamaezite constante…

Total dualidade de sentimentos. Ao mesmo tempo que eu TINHA que correr contra o tempo pois ERA PRECISO muito estímulo. Eu me deparava com o sentimento de auto piedade que se enroscava em mim. Eu QUERIA A ITÁLIA!

Foi então que chorei, mas chorei e chorei mais um pouco e comecei a falar sobre meus sentimentos mais torpes, tristes, chatos e reais!!!!

Desculpe a hipocrisia de alguns, mas sim tive pensamentos RUINS e MAUS sim, que iam embora a cada choro e a cada sorriso que minha TULIPINHA cabeluda me dava.

Foi então, que TOMEI de volta as rédeas da minha vida, coloquei a dor de lado e comecei a luta interna de aceitação, mudança de visão, olhar o colorido da situação, olhar as tulipas de cores diferentes e os pintores exímios..

Foi aí que Mudei a forma de encarar a PARALISIA CEREBRAL.

Tema este em constante aprendizado e o será para a vida toda… A busca por informações, o conversar com as pessoas, outras mães e  ao abrir meu coração sobre a dor, as coisas começaram a desanuviar.

Comecei a olhar os casos positivos e vitoriosos, estava mudando meus valores, voltei a conversar com DEUS … por que eu havia Brigado com ele SIM….. Fiquei muito brava com ele, comigo, com Valentina e com o mundo… Enfim.. Fiquei mas já to reconciliada com a vida e com Deus!!!!  Vi que mesmo nas piores situações DEUS jamais nos desempara. Eu havia brigado com ele mas ele jamais brigou comigo. (Um dia vou detalhar a  minha experiência com Deus)

Com esse texto, mudei a minha visão TORPE E EQUIVOCADA sobre a Paralisia Cerebral (PC).. Vi que não é tudo igual, percebi que cada criança responde de uma forma e que cada lesão tem o seu ônus e OK!!!

A minha visão LIMITADA sobre PC me atava em ver o potencial da minha filha. A medida que mudei a minha forma de ver o diagnóstico mudei minha relação com ela e consegui vencer a minha barreira da ignorância e as mudanças internas e pessoais começaram a desabrochar.

AMPLIEI MEU MUNDO.

E Aprendi que a minha viagem a HOLANDA está muito melhor que a Itália!!!!!

E Viva a Holanda!!!!

Um super beijo… e vou regar a minha Tulipa!!!!

E Valentina nasceu…

Engravidamos.. huhuhu Viva!!!!

Demoramos alguns meses a comunicar a todos sobre a nossa deliciosa fase, MAS mãe, pai, sogra e irmã souberam de imediato.. E os demais aguardaram a passagem do tempo do alto risco (3 meses) para serem comunicados… Nesse tempo foi muita medicação preventiva para segurar o bebê pois a endometriose provoca abortos espontâneos. E muita ansiedade para botar a boca no mundo.. mas a cautela foi necessária.

Tive uma gestação PERFEITA, sem vômitos, vontades e disposição total porém com muita dor nas costas devido a MINHA escoliose que não tinha nada haver com a gestação o problema meu do passado…. mas que fiz muita hidroterapia, fisioterapia, ioga, e terapia de gestantes..

Durante a gestação fiz muitos ultrassons para acompanhamento do Bebê , tudo de forma a supervisionar e antecipar problemas por causa da bendita endometriose.. e muitas idas e vindas a Maringá para visita ao Dr. Murata.

Infelizmente fizemos a opção por ter a Valentina em Londrina com outra Obstetra que me arrependo até as tampas pela péssima decisão.. mas o temos que passar ninguém passa por nós… Depois explico mais detalhes sobre isso.

Mesmo com a minhas dores de coluna, a minha fisiatra, anestesista e obstetras me garantiram que eu não teria problema para ter a VALENTINA de parto normal…

SIM PASME PARTO NORMAL SIM!!!!

Sempre encarei com muita naturalidade o Parto Normal, sempre o quis ao contrário da minha família… Sempre quis dar o tratamento mais natural possível para a minha bebê, que o leite descesse com mais facilidade, que eu já pudesse ter a disposição imediata que o parto norma proporciona.. e de fato o foi e me preparei para isso.

Trabalhei até um dia antes de ganhar a VALENTINA (opção de nome escolhida pelo papai) por que me deu um sangramento e dai tive que repousar por algumas horas até a chegada da hora…

E como soube que era a hora ????

Minha Tia Elaine que fez a decoração da porta correu para finalizar tudo pois pelas contas ainda faltavam alguns dias… e correu a noite me levar e explicou que era a hora de ganhar eu saberia pois ia parecer uma cólica menstrual… e BINGO !!!

As cólicas iniciaram as 4:30 da manhã do dia 04/01/2013 .. acordei o PC e disse que havia chegado a hora … Ele perguntou se eu estava certa disso e sim eu sabia que era a hora. Tomei um banho bem quentinho para fazer a contagem do tempo de contrações, me maquiei, perfumei pus meu vestido mais lindo e fomos para a maternidade. Chegamos com 3 de dilatação.. e evoluindo bem rápido. Em 6 horas eu tive a Valentina. Com 5 de dilatação pedi parto cesárea (rsrs) o dorzinha intensa….

Então veio o começo da saga… Parto Normal sem dor.. que delícia… perfeito  né… Pois é não tão perfeito assim. Uma anestesista que chegou para me atender nem olhou meu prontuário e já foi aplicando e algo saiu errado e eu sabia pois somente uma parte do meu corpo tava anestesiada… o lado esquerdo .. lado o qual a Valentina permaneceu por longo tempo pois ela se ajustou a minha escoliose que é a direita … então no lado esquerdo a bichinha tinha mais espaço.

Falei com a bendita médica que pediu para eu permanecer por um tempo naquela posição abaixada mesmo tendo contrações bem mais fortes e mais frequentes. Fiquei firme lá … e apertava cada vez mais meu esposo.. (kkkk) coitado saiu massageado.. A anestesia pegou depois de um tempo e anestesiou geral então comecei a mandar mensagens (srrss)  que delícia … com a falsa impressão que tudo estava bem…

Minha bolsa não rompeu mesmo com 8 de dilatação então a médica a rompeu e 50 min depois chega a Valentina…. de um parto normal invasivo, pois tinham 3 enfermeiras empurrando minha barriga, a obstetra fazendo o corte vaginal  ( e que corte dolorido) e pedindo para eu fazer força de cocô…. Fiz três forças sendo que na última pedi para Nossa Senhora me ajudar por que eu não tinha forças na perna e ela tinha avisado que a neném tinha que nascer aquela hora…. bluppp Valentina saiu!!!! Que alívio !!!

Ufaaaa… Masssssssss Cadê o choro…???? Mandaram a fotógrafa sair, pediram para o PC sair e ninguém falava comigo….

Oiiiiiii alguémmmm pode falar comigo to aqui de pernas abertas, com alguém me costurando a piriquita e oiiii ????? Eu só tinha o olhar de uma enfermeira que se comunicou com os olhos que tinha dado merda….

Comecei a ficar nervosa e pressão caiu e sentia me desligando do mundo, o som estava indo embora, as pessoas estavam longe e eu passando mal….chamava meu marido e nada .. olhava para os lados e a pediatra fazendo manobras na BB .. e ninguém falava comigo…. que desespero…

Mas nem cogitei a hipótese de perder a MINHA FILHA. A pediatra me mostrou .. deixando a tocar e disse que não poderia falar comigo pois a Valentina precisava dela.. e correu com a Valentina e eu achando que era para dar banho (rsrsr). Depois que a Valentina saiu eu acredito que dormi pois me sedaram por causa da pressão e apaguei. Acordei somente quando cheguei no quarto.

No quarto entra meu esposo e minha tia Elaine com cara de choro e eu perguntava o que tinha acontecido e nada me falavam nada até que a obstetra passou e explicou o ocorrido mas sem aprofundamentos. Até ai eu chorava sem saber direito a gravidade da situação.

Tomei um banho, lavei minha cabeça e bora pra UTI ver a Valentina. Misto de emoção, dor, suspense, ansiedade, medo, tristeza e alegria. Os hormônios estavam borbulhando em nível HARD.

Chegando vi um BEBÊ gigante dentro da incubadora e cabeluda, era sim a nossa FILHA, eu não conseguia tocar de tanto medo de machucar, da fragilidade, dos fios colados no corpo, dos monitores, do barulho pi pi pi que monitora os batimentos cardíacos… que sensação de IMPOTÊNCIA .. que vontade de sair correndo e pegar a MINHA Bebê e FUGIR.. mas não podia… eu só chorava pela dor da impotência.

Foi nesse momento que uma enfermeira como todo amor chegou e me disse que eu podia tocar nela e que ela precisava do meu toque, foi ai que me dei conta que minha filha precisava muito da minha força (nossa né papai?).

Para quem conhece a Valentina sabe que ela é extremante expressiva no olhar e foi nesse instante que ela pela primeira vez me olhou dentro da alma e me pediu com o olhos: “MAMÃE ME AJUDE” .. e mamãe tirou forças do além e se recuperou para ajudar a filhota.

Assim começaram os dias de UTI´s total de 14 dias entre UTI e UCI (unidade de cuidados intensivos). A cada dia e a cada visita era uma novidade diferente. A pergunta era A Valentina tá bem … SIM mãe MASSSSS sempre tinha um MAS ATERRORIZANTE que assombrava a nossa visita.

Então no segundo dia de UTI, chegamos ansiosos e temerosos, e vi a RN de Michelle tendo uns tremeliques, imediatamente perguntei se ela estava convulsionando, a pediatra explicou que não era convulsão mas que ela já havia  convulsionado por 2 vezes e já estava medicada com Gardenal…

Hum.. o tal do Gardenal … vinha na cabeça de quantas vezes eu havia tirado sarro na escola de amiguinhos falando que eles tomavam e agora minha filha tomava o tal remédio.. oh invertida da vida!!!!

Mas ok… Voltando aos tremiliques ela disse que era “Clônus” … aff falou grego.. e eu ensandecida já perguntei se ela podia falar numa língua que eu entendesse. (srrs) Explicou então que era uma alteração neurológica. E eu filha de médico imediatista que são sai correndo da UTI atrás de um neuro pediatra e todos falando que não era para me preocupar que não precisava  mas meu coração de mãe pedia sim… deixei meu pai louco atrás do melhor que tinha em Londrina, pedi para ele correr atrás e DEUS sempre no comando das coisas das coisas e pessoas na nossa vida fez meu pai dar de cara na entrada do banco com a melhor neuro pediatra de Londrina, Dra. Regina Coimbra, que prontamente foi nos atender no Hospital.

Em poucos dias de internação minha filha fez a Ressonância Magnética (RM) e já foi identificado lesões cerebrais o que ocasionara a PARALISIA CEREBRAL. E eu ainda com os hormônios enlouquecidos não me dei conta da gravidade da situação.

Mas entre tantos diagnósticos errados, erros médicos e exames incoerentes que em outro post comentarei, chegava o dia de ir embora…. Viva!!!! Vamos sair…. Viva .. Vamos poder levar nosso BEBÊ NO COLO.

Enfim após 14 dias de internação e uma mãe doida brigando com a enfermeira por que deixou escapar a agulha no último dia de antibiótico, Dra. Edilene enfim nos deu alta!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Ufaaaa queria me ver longe dali no conforto do lar.. no berço e no quarto lindamente preparado para ela….

E o medo volta a rondar … e aí o que vou fazer?????  kkkk Mas esse medo era medo bom…. medo de não saber lidar e aprender com a nossa bebê sem pensar em diagnósticos e nada .. simples ser MÃE..

Um dia após o outro e vamos levar o bebê para casa….

Até o próximo post.. !!!

 

 

 

Quem sou eu????

Oi… Vou me apresenta de forma mais direta agora. Meu nome é Michelle sou MÃE DA VALENTINA, uma doce menina “DIFERENTE”.

Valentina Berbert Santos é uma menina linda, sorridente, esperta e com problemas sim, é quem não os tem né, minha filha? Valentina, completará dia 04/01/2016 seus 3 aninhos e para presentear a ela e a mim segue o BLOG: SER DIFERENTE E NORMAL.

Obrigada filha querida, por ter me presenteado ao ser mãe de uma criança meiga e doce como você, me sinto agraciada por Deus pois VOCÊ me escolheu para ser sua mãe.

Vamos lá ao quem sou EU? Ainda estou na descoberta do quem sou EU. Sou uma pessoa em constante construção como todos, mas com uma bagagem dos últimos 3 anos maior do que a construí nos meus 37 anos anteriores. Tenho 40 anos e muito bem “quarentado” com uma super festa para comemorar essa data, mas isso conto em outro post. Bom a Michelle de hoje é uma outra pessoa após o nascimento da Valentina. Essa descoberta é gradativa de acordo com a superação da minha filha e uma nova Michelle se forma a cada dia.

A Michelle é empresária no ramo de chocolates, hoteleira, administradora, pós graduada em MARKETING, MÃE, ESPOSA, AMIGA, COMPANHEIRA E PALHAÇA… Gosto muito da última atividade pois elas me desafoga do ser profissional e mãe e me deixa ver a vida com um pouco menos de DUREZA. A palhaça é para minha FILHA Valentina e as crianças que me rodeiam que consigo resgatar um pouco da pureza da criança que há em mim.

Fui mãe da Valentina aos 37 anos, depois de 10 anos de casados com o Paulo Cesar (vulgo PC) e 01 aborto no começo do casamento, fomos agraciados com a vinda da Valentina. Valentina é um milagre de Deus conduzido pelas mãos do Dr. Marcelo Murata de maringá, especialista em endometriose, fertilização … e etc ajudando as mulheres a realizar o sonho pleno da maternidade.

Bom, tenho uma endometriose gigante o qual me impedia de ser mãe e eu não sabia, achava estranho não engravidar, mas como a maioria das mulheres não presta tanto atenção nem imaginava que tinha a tal da endometriose. Fui parar nesse SANTO médico por conta de vários clientes na loja me indicando, cunhada e um certo “anjo” que chegou um dia na minha loja e disse bem assim: “eu não te conheço mas Deus me pediu que viesse aqui e desse esse telefone a você do DR. Marcelo Murata, que ele vai te ajudar a ser Mãe”. Uiiiii aquilo me arrepiou até o fio de cabelo pois eu queria ser mãe mas não queria ao mesmo tempo, visto que não ia atrás de nada. Quando essa “mulher-anjo” ao qual eu não sei seu nome e a vi somente 1 vez me deu esse recado eu acordei e fui obediente… fui atrás para conhecer o tal médico. Sai de lá esperançosa pois ele foi bem categórico. VOCÊ SERÁ MÃE. Nossa que máximo, sai eu e Marido da consulta felizes e com um ROL de exames sem fim para descobrir o que eu tinha de fato. Depois de vários exames alguns chatísssimos mas necessários, descobrimos que minha endometriose era super alta mas que não detectava nos exames mais simples como ultrassom. Só abrindo para ver que grau estava. Vamos lá para a cirurgia de vídeo… seguimos o projeto com a desculpa de Vamos tratar a endometriose e se engravidar ok.

Ai começou a nossa luta .. Foram 2 cirurgias e muitas injeções me colocando em estágio de menopausa para estabilizar a bendita endometriose que me deixa INFÉRTIL, para quem não sabe a endometriose é foda… sim… nos deixa infertéis e a minha é alta até hoje. Foi uma ano de tratamento mudando a alimentação onde não podia com lactose, glúten, caféina, açucar, bebidas alcoolicas, refris enfim um tormento total afinal eu tenho loja de chocolates…. Tortura total… e ainda mensalmente injeções na Barriga de uma remédio CARÍSSIMO que o dr. conseguiu pelo SUS(sistema único de saúde).

Bom tirando o dia que ele me apresentou essa dieta mega ultra restritiva, que vim chorando de Maringá a Londrina sem parar, o resto tirei de letra. A adaptação foi complicada e rstritiva, mas eu no meu íntimo queria ser mãe e queria que desse certo. Passou o período crítico e o fim de 8 injeções chatas, começamos a super ovulação e a pressão psicológica em cima do marido para comparecer, né amor… Passado os 4 meses de super ovulação e em mudança de residência e sem teto por que vendemos nosso apartamento e o outro não tinha sido entregue ainda…. e nós tentando ter BEBÊ… fomos morar na minha amada sogra (amada mesmo), e engravidei nos primeiros 20 dias de casa da sogra.

Fui tratada com muito amor e com muito cuidado por todos. E veio a Valentina. Que me tornou a pessoa mais feliz e preocupada no mundo.

Logo mais conto a história da chegada da Valentina!!!!

Um super beijo e obrigada pela partilha

 

 

Ser Diferente e normal?

Olá, depois de muito hesitação eis a criação do BLOG. Viva! Posso escrever sobre a diferença no mundo da normalidade anormal. Bom então vou começar me apresentando. Sou Michelle Berbert Santos, mãe da Valentina. Muito Prazer!! Obrigada por me ler.

A Idéia do BLOG é para ajudar a superação das pessoas no entendimento da diferença no mundo tão indiferente mas a razão fundamental deste BLOG é poder AJUDAR a superação das Mães e Pais “especiais” dando dicas, reportagens e assuntos relacionados aos temas sobre a diferença dos filhos ditos normais aos filhos com necessidades especiais.

Por isso seja bem vindo ao nosso BLOG.

Obrigada pela disposição em nos LER e COMENTAR em nosso BLOG.