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A diferença entre o remédio e o veneno é apenas a dose!

A Diferença entre o remédio e o veneno é a dose.

Desde ano passado devido a uma série de acontecimentos e necessidades maternas aflorando, decidi que a vida da Valentina não será mais uma loucura. Faremos o que for necessário e pontual mas não mais um turbilhão de coisas como foi até o final do ano passado.

Resolvi aderir ao movimento slow parenting.

Slow Parenting” ou movimento dos pais sem pressa – É o Movimento que prega a desaceleração da rotina das crianças. Esse movimento que busca desenvolver o ritmo de cada família e respeitando o indivíduo como tal.

Desde o nascimento da minha Tulipa, vivemos uma rotina punk de atividades e com a correria vem os stresses e todos os seus agregados, irritabilidade, tensão, medos e afins…

E em agosto do ano passado, esposo ficou desempregado e essa situação gerou um movimento novo em casa de reestruturação financeira. Muitas opções foram e estão sendo mudadas. Estamos revendo nossas prioridades e necessidades. E foi nesse espaço de tempo onde vivemos uma tensão doida por conta das necessidades da Valentina que despertou em mim  alguns desejos como esse diminuir o rtimo e me conectar mais a ela.

Foi um período HARD com muito aprendizado, aumento da cumplicidade e união familiar. Não foi nada fácil mas aprendemos que podemos viver com muito menos e somos felizes assim. Pudemos exercer o desapego e aumentar a valorização pela nossa família.

Não é fácil ter que baixar o nível de status mas também não é difícil.. É só diferente. E em questão de viver a diferença estamos descolados kkkkkk…

E foi nesse momento de desaceleração financeira que pudemos enxergar as necessidades reais ao invés das necessidades ansiosas da mamãe. E foi muitoooo bom enxergar novas possibilidades. Rever as possibilidades financeiras me abriu o leque para outras situações que eu sempre descartara antes, por conta de conceitos pré-concebidos por mim.

Mas voltando a dose do remédio e conectando a nossa situação acima, pude observar que muito da rotina da Valentina era TOO MUCH para nós duas.

E que toda essa loucura que vivíamos foi imposta pela condição da Paralisia cerebral e da minha ansiedade e medos que me rondavam do que ela realmente precisava.

Eu hesitava escutar os conselhos da minha terapeuta Maribel que sempre dizia que a VALENTINA precisava de brincar ao invés de ter uma rotina tão puxada. Sei que todas as fisio, fono e demais são lúdicas mas são TERAPIAS.

Nessas férias brincamos muitos eu e ela, no chão, na piscina, no parque e  nesse processo de dedicação do brincar fui me resolvendo e pontuando o que eu poderia fazer para me melhorar como MÃE.

E decidi ser MÃE  e não mais mãe-terapeuta. Vou ser simplesmente mãe e estou feliz com minha escolha. Não falo que seja definitiva, mas sim pontual para o que sinto hoje.

Vou dedicar duas manhãs inteiras ao brincar, ao rolar no chão, ao assistir desenho juntas, a ir na biblioteca infantil. E vamos ver como minha linda Tulipa se desenvolverá. Estou bem certa das minhas escolhas…. E feliz com isso.

E a dose de tantas atividades, me tolhiam o tempo de brincar com minha filha. Vamos fazer o básico e brincar muito e veremos resultados surpreendentes. Tuod que é em excesso se torna um veneno.

E quando falo dos excessos em criança não falo especificamente na minha e sim no coletivo. Vejo hoje um nível de exigência muito puxado para os pequeninos.  Incluí- se aulas de  natação, balé, robótica e outras atividades extra curriculares e curriculares em excesso onde nossas crianças deixaram de ser crianças para serem mini workhalics.

Queremos preencher o tempo delas e nos esquecemos de sentar no chão para brincar, vamos para cozinhar e socamos a Tv para distraí-los ao invés de levar os pequenos para terem novas experiências com a gente na cozinha. Deixamos de tomar banho juntos por que demanda mais tempo para brincar.

Mas isso não é fácil pois exige paciência e tempo. E ainda exige um sentimento maior de todos o de QUERER.

Então o que falo a todos vocês amigos ..O  tempo passa tão rápido e a nossa correria do trabalho nos impõe um rotina estressante e estafante mas que ainda há lugar para a gente ficar conectado no mundo virtual.

Bora fazer diferença no mundo real para quem está perto de nós..

Bjs e bom resto de semana com muita curtição com essas lindezas.

Michelle

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O SOFRIMENTO VEM QUANDO IDEALIZAMOS A PERFEIÇÃO.

O SOFRIMENTO VEM QUANDO IDEALIZAMOS A PERFEIÇÃO

Ontem foi o dia de comemorar a diferença e a felicidade. Tivemos a festa anual da turminha da Fisioterapia da Tia Marta.

Essa festa tem um significado muito grande a todas as famílias que estavam lá. Pois é onde o nosso processo de desconstrução acontece e vemos a vida por um ângulo bem diferente: O ângulo da felicidade.

Nesse ambiente  temos todos os lados da diferença … Uns com mais, outros com menos e outros com nada. Mas uma coisa é comum a todos a ALEGRIA. Sentimos que os sentimento alegria exala pelos poros e acaba contagiando quem chega mais tristonho.

A partilha da dor e união desse grupo e das profissionais MÃEZOCAS que são, faz com que vejamos as  deficiências de forma mais natural. Quando deixamos de sofrer pela perfeição (que não existe) enxergamos uma beleza nas situações.  Quando deixo de olhar o meu nariz torto consigo ver a beleza dos meus olhos verde. É simplesmente mudar o foco da visão.

Essa semana em especial tenho escutado muito sobre a VISÃO. Que tamanho tem a minha visão? Que foco tenho dado? Como anda o meu olhar? E ontem eu pude perceber que o meu olhar na direção certa vai me fazer cada dia mais feliz e poder contagiar o mundo com a alegria de viver.

E quando percebo que ser PERFEITO é tão utópico consigo ver muitas belezas além da perninha torta, o peso que não consegue atingir, a cadeiras de rodas, a órtese. Devemos olhar as coisas com o olhar de criança onde ele olha a órtese e fala: “Mamãe olha que legal a Bota da Peppa PIG”.  Ou então olha o estabilizador de ficar em pé e diz: “Uaaaau que legal.. um carrinho de romelã de pé.”

É nesse sentido que  digo que devemos olhar a vida com mais alegria e menos sofrimento.

Perdi tantos dias da minha vida sofrendo para escolher uma cadeira de rodas sem parecer cadeiras de rodas… kkkk … Relutei tanto ao uso das órteses por que mostravam a tal imperfeição …. E quando olho para isso de forma mais natural e bela consigo ser feliz e trazer menos sofrimento para a Valentina ao ter que usar os acessórios necessários.

Um processo de desconstrução total que me faz ver que as coisas podem ser belas mesmo  sem ser “perfeitas”.

Eu quando tinha 13 anos de idade, tive um problema de coluna que precisei usar um colete horroroso para ajudar no processo de não evoluir a escoliose. Lembro-me  na época que chorei apenas UMA vez em ter que usar o aparelho. Eu precisava usar 23h por dia ele. Só retirava para fazer fisio e tomar banho, de resto dormia, brincava, estudava tudo com o aparelho. Mas foi na  primeira festinha dançante que tive que ir com ele, que eu chore. Eu achava que ninguém iria querer dançar comigo, que iriam me achar horrorosa. Mas como minha mãe sempre me explicou a necessidade de uso de tal aparelho, lá fui eu a ROBOCOP MENINA. Cheguei acanhada (que não me é natural) e para minha surpresa já fui convidada de primeira para dançar e pasmem, dancei todas as  músicas LENTAS  nem a vassoura (dança da vassoura) eu peguei. (kkkkkkkkkkkkkkkkkk)

O que estou querendo mostrar com essa historinha é que quando deixamos de ver a beleza na imperfeição, sofremos e tendemos a fazer os que estão próximos a sofrer junto.

Então digo a você nesse lindo dia…. MUDE O FOCO e Deixe de olhar o lado RUIM … e Passe a ver as coisas boas e SERÁS FELIZ !!!!!!!!!!!!!!!

Bora ser feliz galera ….

E um MARAVILHOSO Fim de Semana repletos de mudança de VISÃO….

Bjs Michelle

Novas Decisões…. e novos desafios….

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Novas Decisões…. e novos desafios….

Desde muito pequenina a Tulipinha Valentina tem corrido atrás do prejuízo. Uma corrida ensandecida contra o tempo.

Ohhh temido tempo.

Às vezes me esgoto emocionalmente e fisicamente, pois essa mocinha tem uma rotina muito puxada. São várias atividades diferentes, pessoas a manipulando e muito cansaço físico.

Todo santo dia, Valentina sai de casa com um objetivo traçado: TER QUALIDADE DE VIDA FUTURA.

Acontece que para que essa qualidade futura ocorra, é preciso muito força nossa como pais e família.

É Fisio, Fono, TO, Hidro, Equo, Natação, Kinesio, Ozonioterapia…. e ias e ias e mais ias…

Essa vida é difícil, porém necessária…

Quisera eu, estar atolando a Valentina de esportes, aulas de N coisas…    Mas……………

É o que temos para hoje.  E Vamos à luta.

E mais uma nova decisão tomamos durante o mês de abril. Iniciar um novo estilo de fisio para incrementar o tratamento atual. Hoje fazemos fisio na modalidade bobath com a Tia Marta e vamos complementar a partir da semana com o tratamento CUEVAS MEDEK.

Estou muito esperançosa e muito ansiosa por isso.  Daqui a 8 semanas darei feedback sobre essa nova sistemática.  Acredito que a Valentina vai adorar a novidade, pelo menos na avaliação ela se divertiu muito com as posições… (rsrsrsr).

Abaixo disponibilizarei o link de uma entrevista do idealizador desse método, para quem tiver interesse em conhecer .. Espero muitoooo resultados… Uiiii que frio na barriga.

Mas essa rotina PUNK de terapias, compromissos e muitas cobranças, Valentina tem demostrando a sua vontade de permanecer em casa, no relax, tranquila e favorável….

Mas infelizmente não posso deixar ela se alongar na preguiça, pois dias seguidos sem terapias acontecem perdas físicas.

Não costumo encorajar o sentimento de deixá-la em casa, não cumprir as atividades necessárias. Mas vou ser bem sincera que muitas vezes desejo MUITO não a levar. Por dó, cansaço pessoal e tristeza também. Mas faço todos esses sentimentos desaparecerem, pois não posso dar lugar a eles em nossa vida.

As dualidades de sentimentos brotam de vez em sempre.

Esses dias atrás me peguei chorando numa sessão de massagem para as minhas costas, por que eu havia deixado a Tia Jessica, cuidadora dela, a levar sozinha na Fono.

VC acha que pode????  KKKK

Como assim, Michelle. ???? A Tia Jessica foi chamada para me dar suporte mesmo, me dar um pouco de independência e dar mais autonomia também a Valentina. E a mamãe tonta chorando … com sentimentos de culpa… kaakkakak .

Ao mesmo tempo em que choro começo a rir de mim mesma.

Mas voltando as terapias e decisões. A cada tomada de decisão desse estilo, meu coração palpita e minha psiquê me chama a consciência com medo de estar dando muita coisa a essa menina e não dar o suporte emocional a tudo isso.

Sempre explico a ela de forma real e adulta o que vem pela frente e o porquê de estarmos nessa luta.

Mas são nessas horas que uns sentimentos de revolta brotam em meu coração e me vejo pensando no que um erro médico tem nos feito passar. Nós e a muitas famílias. E tenho sentimentos muito ruins em relação a minha ex-médica. Porém isso só faz mal a mim mesma por que a FDP nem sequer sabe das nossas lutas, batalhas e vitórias.

Mas ok… Não vou me lamentar, pois tenho tirado várias e lindas lições de tudo pelo que temos passado.

Então hoje o meu desabafo é só de cansaço…. Esperança e muita ansiedade também.

E borá adentrar a próxima semana com muitas BOAS e VIBRANTES novidades

Bjkas

Tulipa e Tulipinha

 

http://terapiadomovimento.blogspot.com.br/2011/02/entrevista-com-dr-ramon-cuevas-criador.html

Viagem a Itália !

BEM VINDO À ITÁLIA!

“Freqüentemente me pedem para descrever a experiência de dar à luz uma criança portadora de necessidades especiais.  Eu diria assim:

Ter um bebê é como planejar uma fabulosa viagem de férias para a Itália. Você compra um monte de guias e faz planos maravilhosos: o Coliseu, o Davi de Michelangelo, as gôndolas em Veneza… Você até aprende algumas frases em italiano. É tudo muito excitante.
Após meses de antecipação, finalmente chega o grande dia.

Você arruma as malas e embarca. Algumas horas depois, você aterrissa. O comissário de bordo chega e diz: “Bem-vindo à Holanda!”.

Holanda? – diz você. O que quer dizer com Holanda? Eu escolhi a Itália! Eu devia ter chegado à Itália. Toda a minha vida eu quis conhecer a Itália!

Mas houve uma mudança no plano de vôo. Eles aterrissaram na Holanda e é lá que você deve ficar. O mais importante é que eles não levaram você para um lugar horrível e desagradável, com sujeira, fome e doença. É apenas um lugar diferente.

Você precisa sair e comprar outros guias. Deve aprender uma nova língua e irá encontrar pessoas que jamais imaginara. É apenas um lugar diferente. É mais baixo e menos ensolarado que a Itália. Mas, após alguns minutos, você pode respirar fundo e olhar ao redor.
Começa a notar que a Holanda tem moinhos de vento, tulipas e até Rembrandt e Van Gogh. Mas, todos os que você conhece estão indo e vindo da Itália, comentando a temporada maravilhosa que passaram lá.

Por toda a sua vida você dirá: Sim, era onde eu deveria estar. Era tudo o que eu havia planejado.

A dor que isso causa, nunca, nunca irá embora, porque a perda desse sonho é uma perda extremamente significativa.

No entanto, se passar toda a vida remoendo o fato de não ter chegado à Itália, nunca você estará livre para apreciar as coisas belas e muito especiais existentes na Holanda.”                  

Emily Perl Knisley

A primeira vez que li esse texto foi no consultório da Tia Marta (fisioterapeuta) da Valentina, fisio que faz desde os 45 dias de vida, aliás faz desde o dia que nasceu.  A Tia Marta é a pessoa de nível terapêutico que mais me ajudou  e ajuda ainda. Teremos o dia do post dela… e vocês conhecerão o ser incrível que ela é…

Mas vamos seguir ao texto.

Estava passando pelos piores dias da minha vida de cunho emocional. Com muitas descobertas, muitas fichas caindo, processo de passagem pelo luto do filho ideal para o filho real.. enfim.. o pó da bagaceira …. Um dia contarei algumas coisas que senti ao me  aprofundar em minha dor. Hoje não é dia de contar ainda…

O texto da viagem da Itália caiu como uma bomba…. EU QUERIA A ITÁLIA SIMMMMMM….. Ainda não conseguia ver a beleza da Holanda, mesmo sabendo que era linda… MAS QUERIA A ITÁLIA!!!!

AHHH como eu queria poder ir na Torre de PIZZA, como eu queria ser ” NORMAL”.

Eu queria que o tempo pudesse voltar e eu pudesse tomar outras decisões.

Mas enfim estava passando pela dor, pelo sofrimento, pelo pensar de como os outros iriam pensar, como eu iria encanar o mundo, os preconceitos…. etc, etc, etc……

Dores sem fim, culpa gigante, remorso imenso e uma mamaezite constante…

Total dualidade de sentimentos. Ao mesmo tempo que eu TINHA que correr contra o tempo pois ERA PRECISO muito estímulo. Eu me deparava com o sentimento de auto piedade que se enroscava em mim. Eu QUERIA A ITÁLIA!

Foi então que chorei, mas chorei e chorei mais um pouco e comecei a falar sobre meus sentimentos mais torpes, tristes, chatos e reais!!!!

Desculpe a hipocrisia de alguns, mas sim tive pensamentos RUINS e MAUS sim, que iam embora a cada choro e a cada sorriso que minha TULIPINHA cabeluda me dava.

Foi então, que TOMEI de volta as rédeas da minha vida, coloquei a dor de lado e comecei a luta interna de aceitação, mudança de visão, olhar o colorido da situação, olhar as tulipas de cores diferentes e os pintores exímios..

Foi aí que Mudei a forma de encarar a PARALISIA CEREBRAL.

Tema este em constante aprendizado e o será para a vida toda… A busca por informações, o conversar com as pessoas, outras mães e  ao abrir meu coração sobre a dor, as coisas começaram a desanuviar.

Comecei a olhar os casos positivos e vitoriosos, estava mudando meus valores, voltei a conversar com DEUS … por que eu havia Brigado com ele SIM….. Fiquei muito brava com ele, comigo, com Valentina e com o mundo… Enfim.. Fiquei mas já to reconciliada com a vida e com Deus!!!!  Vi que mesmo nas piores situações DEUS jamais nos desempara. Eu havia brigado com ele mas ele jamais brigou comigo. (Um dia vou detalhar a  minha experiência com Deus)

Com esse texto, mudei a minha visão TORPE E EQUIVOCADA sobre a Paralisia Cerebral (PC).. Vi que não é tudo igual, percebi que cada criança responde de uma forma e que cada lesão tem o seu ônus e OK!!!

A minha visão LIMITADA sobre PC me atava em ver o potencial da minha filha. A medida que mudei a minha forma de ver o diagnóstico mudei minha relação com ela e consegui vencer a minha barreira da ignorância e as mudanças internas e pessoais começaram a desabrochar.

AMPLIEI MEU MUNDO.

E Aprendi que a minha viagem a HOLANDA está muito melhor que a Itália!!!!!

E Viva a Holanda!!!!

Um super beijo… e vou regar a minha Tulipa!!!!