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Eu AINDA escolheria você Valentina

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A infantilização nas crianças especiais

A infantilização nas crianças especiais.

Tenho vivido alguns momentos de angústia sobre o tema e estou num duelo referente a isso.

Quando falo em infantilização , lido em um contexto geral e que acontece muito mais em filhos especiais do que os “normais” .

Filhos com necessidades especiais são vistos com olhar diferente. Além de toda dependência física , eles normalmente são de estaturas e pesos menores, e por isso muitas vezes são identificados como bebês ou crianças bem abaixo da faixa etária real.

Eu como Mãe de criança especial tenho muito medo de infantilizar a minha filha, me policio o tempo  todo. No quesito a brinquedos, livros e desenhos, tudo para que ela acompanhe a galerinha da idade dela.

Tento viver o mais próxima da idade real. Porém para as pessoas de fora deve ser muito mais difícil de enxergar isso. Mas eu como mãe tenho o dever e a obrigação de alertar aos demais sobre a idade cognitiva dela, para evitar maiores frustrações além das quais ela já vive.

Toda crianças pequena odeia ser chamada de bebês, então não muda nada para as crianças especiais. O problema é que elas muitas vezes mesmos furiosas não conseguem expressar os sentimentos. E isso deve ser extremamente frustrante.

E eu consciente disso faço uso da empatia e busco sempre traçar as situações com maior realidade possível a ela.

Evito falar com voz de bebê, sempre a chamo de mocinha de  4 anos, dou responsabilidades iguais, chamo atenção, se faz birra leva bronca e ás vezes uns tapas. Tudo igual aos demais.

E esse tema eu venho trabalhando em minha cabeça e no meu coração, para que EU nas minhas “piras” não fruste ainda mais a pequena Tulipa. Muitas situações EU fico brava, EU me sinto mal.

No Domingo passado fomos almoçar em um restaurante rural e a  garçonete super cortês me ofereceu um bebê conforto para eu colocar a Valentina. Na hora eu engoli seco e agradeci e depois comentei com minha amiga JU o quanto eu estava me sentindo perturbada com esse tema e como estava me fazendo mal esse sentimento.

Eu sei que não é por mal que as pessoas fazem pois é dessa forma que elas enxergam a situação. Ela viu uma menina pequena, molinha e no colo fez a conexão que era um bebê.

Os traumas emocionais que as crianças com PC vivem devem ser grandes e precisamos criar estratégias para identificar e minimizar essa dor.

Aqui em casa VALENTINA ainda não fala mas verbaliza através do seu corpo.

Mas tem coisas que precisam ser faladas e no caso dela eu vou TENTANDO  interpretá-las e pontuando verbalmente para trabalharmos isso. Quando estou em plena comunhão e e um nivel elevado de cumplicidade consigo trabalhar temas mais facilmente. Entretando não é sempre que estamos só no foco deles e esse desfocar leva a frustração emocional.

E quando penso que o mundo os enxerga como um bebezões . Temo pelo lado cognitivo. O que isso ocasionará.

Conheço muitas crianças grandes que não tem cognitivo preservado que agem e são realmente bebês de idade mental. Que não sei como lidam com isso e se já pensaram sobre isso.

Muitas famílias que tem o diagnóstico de deficiência acabam não tratando as crianças de acordo com a idade cronológica pois as vezes eles não dão as respostas ao nosso contento mas não quer dizer que eles não estão entendendo. Simplesmente não conseguem responder como a GENTE gostaria que fosse e no nosso tempo. Aprender a escutar e respeitar os tempos diferentes é uma batalha.

Hoje eu estava ajudando a realizar a tarefa da escola e era uma atividade de pintura e depois recortes e colagem. A primeira parte foi super legal… Escolheu as cores, pintou mão sobre mão e ok. Na segunda parte a bichinha não quis fazer, ficou entediada e perdeu o interesse pois demandava de muito esforço motor. Então ela começou a fazer birra, chorar, resmungar até que eu conseguisse entender que ela não queria fazer.

Interpretei que ela não queria continuar a atividade .. ela queria só pintar. E não é que ela não entendeu.. ela simplesmente queria pintar. A respeitei e depois voltamos em outro momento para finalizar a tarefa.

Pessoas de fora iriam entender que ela não havia compreendido a mensagem. E a rebaixariam em termos cognitivos. E isso é o mais normal de acontecer.

Muitas vezes subestimamos  o nível de compreensão das crianças porque achamos que elas não vão compreender.Porém eles entendem muito mais do que achamos. Isso em todas as crianças não só naquelas que tem necessidades especiais.

Então amigos ..

Vamos prestar mais atenção porque esses serzinhos são mais ligeiros que nós.

Um super beijo

Bom carnaval

Michelle

 

Quando o olhar expressa …

Quando o olhar expressa …

O começo de férias é a época os filhos adoram e as mães enlouquecem. Crianças em casa é divertido mas exige  uma dose extra de tempo, paciência, grana e disponibilidade.

Há uma semana, Valentina entrou em férias e se recusou terminantemente a ir a escola para a Colônia de Férias, mesmo eu tendo todas as artimanhas não consegui dobrar a bichinha. E acho até lógico o pensamento dela… Escola é escola.. E colônia de férias é diversão com a mamãe.

Consegui dar uma escapada da loja, para que eu pudesse me dedicar exclusivamente  a minha pequena moleca  e fazer programas que me aproximasse mais e a visse a cada momento mais feliz.

Então resolvi montar roteiros ao qual eu fazia quando era pequena e me sentia muito feliz. Coisas simples que as crianças de hoje em dia não tem mais.

Voltei ao passado e saudosa como estou pude reviver muitos sentimentos bons que me remeteu a minha infância e que pude mostrar isso a minha tulipa e a deixa-la  feliz também pela simplicidade. E sabe o que mais eu pude perceber que a felicidade que ela expressava através do olhar e seu sorriso, me indicava que eu estou no caminho certo.

Fomos a passeios simples, como  uma volta no centro da cidade e sentar para tomar um sorvete que o sorriso mais lindo eu puder ter. No simples dedicar umas horinhas a fez tão feliz que irradiava felicidades.  O seu olhar expressava .. seu corpo falava e seu sorriso encantava.

E essa alegria foi estendida aos primos que levamos juntos e puderam se expressar verbalmente  que eles estavam felizes e eu que eles estavam muito gratos comigo. E te pergunto o que ofereci a eles?????

Ofereci meu tempo, minha alegria e disponibilidade em estar EXCLUSIVAMENTE para eles.

Hoje no mundão que vivemos, é tão difícil de nos desconectarmos da vida virtual para vivermos a vida real e dar vivência aos nossos pequenos.

Muitos não podem dar essa quantidade de tempo que eles desejam .. mas podem dar qualidade de tempo no momento que estiverem com eles…

Então … Bora desligar do virtual e viver o real… porque os dias passam e eles não voltam…

Bom final de semana cheio de deliciosas experiências.

Bjs Michelle

 

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