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A infantilização nas crianças especiais

A infantilização nas crianças especiais.

Tenho vivido alguns momentos de angústia sobre o tema e estou num duelo referente a isso.

Quando falo em infantilização , lido em um contexto geral e que acontece muito mais em filhos especiais do que os “normais” .

Filhos com necessidades especiais são vistos com olhar diferente. Além de toda dependência física , eles normalmente são de estaturas e pesos menores, e por isso muitas vezes são identificados como bebês ou crianças bem abaixo da faixa etária real.

Eu como Mãe de criança especial tenho muito medo de infantilizar a minha filha, me policio o tempo  todo. No quesito a brinquedos, livros e desenhos, tudo para que ela acompanhe a galerinha da idade dela.

Tento viver o mais próxima da idade real. Porém para as pessoas de fora deve ser muito mais difícil de enxergar isso. Mas eu como mãe tenho o dever e a obrigação de alertar aos demais sobre a idade cognitiva dela, para evitar maiores frustrações além das quais ela já vive.

Toda crianças pequena odeia ser chamada de bebês, então não muda nada para as crianças especiais. O problema é que elas muitas vezes mesmos furiosas não conseguem expressar os sentimentos. E isso deve ser extremamente frustrante.

E eu consciente disso faço uso da empatia e busco sempre traçar as situações com maior realidade possível a ela.

Evito falar com voz de bebê, sempre a chamo de mocinha de  4 anos, dou responsabilidades iguais, chamo atenção, se faz birra leva bronca e ás vezes uns tapas. Tudo igual aos demais.

E esse tema eu venho trabalhando em minha cabeça e no meu coração, para que EU nas minhas “piras” não fruste ainda mais a pequena Tulipa. Muitas situações EU fico brava, EU me sinto mal.

No Domingo passado fomos almoçar em um restaurante rural e a  garçonete super cortês me ofereceu um bebê conforto para eu colocar a Valentina. Na hora eu engoli seco e agradeci e depois comentei com minha amiga JU o quanto eu estava me sentindo perturbada com esse tema e como estava me fazendo mal esse sentimento.

Eu sei que não é por mal que as pessoas fazem pois é dessa forma que elas enxergam a situação. Ela viu uma menina pequena, molinha e no colo fez a conexão que era um bebê.

Os traumas emocionais que as crianças com PC vivem devem ser grandes e precisamos criar estratégias para identificar e minimizar essa dor.

Aqui em casa VALENTINA ainda não fala mas verbaliza através do seu corpo.

Mas tem coisas que precisam ser faladas e no caso dela eu vou TENTANDO  interpretá-las e pontuando verbalmente para trabalharmos isso. Quando estou em plena comunhão e e um nivel elevado de cumplicidade consigo trabalhar temas mais facilmente. Entretando não é sempre que estamos só no foco deles e esse desfocar leva a frustração emocional.

E quando penso que o mundo os enxerga como um bebezões . Temo pelo lado cognitivo. O que isso ocasionará.

Conheço muitas crianças grandes que não tem cognitivo preservado que agem e são realmente bebês de idade mental. Que não sei como lidam com isso e se já pensaram sobre isso.

Muitas famílias que tem o diagnóstico de deficiência acabam não tratando as crianças de acordo com a idade cronológica pois as vezes eles não dão as respostas ao nosso contento mas não quer dizer que eles não estão entendendo. Simplesmente não conseguem responder como a GENTE gostaria que fosse e no nosso tempo. Aprender a escutar e respeitar os tempos diferentes é uma batalha.

Hoje eu estava ajudando a realizar a tarefa da escola e era uma atividade de pintura e depois recortes e colagem. A primeira parte foi super legal… Escolheu as cores, pintou mão sobre mão e ok. Na segunda parte a bichinha não quis fazer, ficou entediada e perdeu o interesse pois demandava de muito esforço motor. Então ela começou a fazer birra, chorar, resmungar até que eu conseguisse entender que ela não queria fazer.

Interpretei que ela não queria continuar a atividade .. ela queria só pintar. E não é que ela não entendeu.. ela simplesmente queria pintar. A respeitei e depois voltamos em outro momento para finalizar a tarefa.

Pessoas de fora iriam entender que ela não havia compreendido a mensagem. E a rebaixariam em termos cognitivos. E isso é o mais normal de acontecer.

Muitas vezes subestimamos  o nível de compreensão das crianças porque achamos que elas não vão compreender.Porém eles entendem muito mais do que achamos. Isso em todas as crianças não só naquelas que tem necessidades especiais.

Então amigos ..

Vamos prestar mais atenção porque esses serzinhos são mais ligeiros que nós.

Um super beijo

Bom carnaval

Michelle

 

E a Fé na DOR????

E a Fé na DOR????

Muitas falam em exercício da Fé, quando se tem um problema. Mas as pessoas não imaginam a dimensão das coisas até passar por ela.

É um filho especial, uma doença, uma fatalidade ou uma situação totalmente adversa ao curso da vida.

Valentina e suas missões!!!! mostra como desenvolvi um pouco da minha relação com Deus.

Nossas famílias são cristãs. A minha família é evangélica e a família do meu esposo é católica apostólica romana.  Todos buscam o mesmo DEUS. TODOS buscam o bem para a Valentina na sua visão. Com atritos ou sem atritos o bem comum é o foco.

Apesar de existir diferentes visões da religião sei bem receber as coisas BOAS que nos desejam e deletar as coisas ruins ou que não fazem sentido a mim… Então podem continuar a rezar, orar, energizar….  (rsrsrs)

A minha raiz foi a igreja católica. Estudei em colégio católico, fui batizada e crismada na igreja católica. Porém alguns contratempos da vida levaram meus pais a mudar o rumo da fé. E foi nessas andanças da vida que ela nos apresentou a pluralidade religiosa. Fomos ao budismo, espiritismo, candomblé, Scheio-no-ie entre as várias denominações evangélicas que existem.

Aprendi a diversidade religiosa e isso não me incomoda. Pelo contrário me fez absorver tudo o que as religiões passam de positivo e me dá uma visão ampla das coisas.

Essa bagagem religiosa me abriu a cabeça e me fez crer que não há uma religião absoluta, mas sim num DEUS ABSOLUTO.

Acredito num DEUS tão absoluto que é regido por diversas religiões mas com nomes diferentes.

ACREDITO EM MILAGRES. Milagres diários, anjos em forma de amigos, pessoas enviadas  e usadas por DEUS…. A única forma que não concordo são dos MILAGRES á jato  e como ele acontece em algumas religiões pregam… Mas isso é um problema meu e da minha fé….

No momento de DOR não existe diferença de religião. TUDO é Válido, pois tem uma função em comum. Sabe que hoje eu consigo ver que a a DOR traz a sua beleza… pois na Dor vem as benesses como  UNIÃO espiritua l e familiar. São nos momentos de dor  que podemos sentir a presença e o mover de Deus.

No começo a gente não enxerga  nada além do nosso sofrimento… Mas depois que a vibe ruim passa você enxerga o trabalhar na vida.

Enquanto passamos situações boas, nos esquecemos de Deus, ou melhor dizendo deixamos ele de Lado, pois quando a situação tá tranquilo e favorável .. Esquecemos de agradecer.

Mas quando me vi numa situação de estress extremo e com muito medo de perder a nossa filha linda e cabeluda, pedi ao PAI do CÉU, PELA GRAÇA DA VIDA. Não queria mais nada somente a VIDA da nossa tulipa. Poderia parecer egoísta mas eu a queria de qualquer forma. E Deus concedeu o desejo do meu coração. Como um sopro de Vida ele trouxe a Valentina de volta.

Foi nesse momento que vi o primeiro milagre na vida dela.  Aliás minto o primeiro Milagre foi a gestação dela.

Deus cuidou e cuida dela  desde sempre. E  mesmo na limitação da Paralisia Cerebral, vemos o agir de DEUS constante e diário em nós três.

Sabe aquele filme o “ O Todo Poderoso” com Jim Carrey????? Onde o  Jim Carey começa a enxergar  Deus nos outdoors, nas placas dos carros??? Tenho essa mesma relação de assistência com ele… Ele usa todos os argumentos e situações para falar comigo .. E além de engraçado que é….  ele puxa a minha orelha, é através de uma música no rádio que responde o que eu tava pensando…. Ou é em um bate papo com alguém que fala algo que liga ao que estou passando , é mensagem que brota no Facebook na minha linha do tempo….

Enfim vejo DEUS conversar comigo e me PITACAR o tempo todo.  Os “PITACOS” de DEUS  mostra isso de forma pontual.

E quando olhamos para a Valentina vemos as grandes coisas que tem acontecido a ela, não podemos em hipótese alguma deixar DEUS de lado. Ele tem nos fortalecido, guiado, conduzido e providenciando PESSOAS para nos ajudar na caminhada.

Não sou a pessoa mais espiritualizada do mundo, FIEL de igreja, não rezo diariamente, mas sei  AGRADECER imensamente o que ele tem feito por nós. E o meu jeito de agradecer é ajudar os demais é assim FAZENDO O BEM sem olhar a quem. E com isso mobilizamos muitos em prol de muitos.

E o trabalhar de DEUS em minha vida veio pela vida da minha TULIPA. Ela fez desabrochar  em meu coração o que estava adormecido. Ela me fez uma nova e MELHOR pessoa.

E agradeço a DEUS por tudo que estamos passando por assim me fez diferente e encarar a vida com outros olhos.

Um super beijo da pessoa em transformação

Michelle

E a Zika .. Zikou !!! E deixou os Filhos da MICROCEFALIA….

E a Zika .. Zikou !!! E deixou os Filhos da MICROCEFALIA….

O assunto ZIKA VIRUS, tem sido muito comentado e gerado insegurança geral.. A Tal da MICROCEFALIA. O Diagnóstico triste e sem ter o que fazer a não ser esperar o desenvolver futuro….

E o que é a tal Microcefalia??? É cérebro que não cresce conforme o crescimento do corpo. E que pode gerar sequelas cognitivas, motoras ou as duas juntas.

E a Microcefalia assusta? Muito, pois só o que temos são incertezas do amanhã. Cura??? Vão sobreviver??? Como será?????????????? Mas o que temos pra hoje é somente MEDOS.

Para as futuras MAMIS um alento. A nossa Valentina TEM microcefalia também…
Só que fizemos estimulação precoce, terapias e muito amor que fizeram e fazem a diferença na vida dela.

Uma coisa que sempre me confortou quanto a Microcefalia. Dra. Regina Coimbra, médica neurologista, nos falou a seguinte frase: “MÃE, NÃO SE PREOCUPE COM O TAMANHO DA CABEÇA E SIM COM O CONTEÚDO DELA”.

E isso foi o diferencial para que corrêssemos atrás de estimulá-la. Muitos estímulos sensorias, visuais, texturas, cheiros. Enfim aguçamos os sentidos e borá brincar. Tudo para dar o tal conteúdo a nossa pequena.

Passamos e ainda passamos muitos medos, dores emocionais. As pesquisas no Dr. Google deixavam-me apavorada, aliás deixei de consultar esse médico, viu…. rsrs.

Existem várias situações da Microcefalia. E ainda tem os que geram a tal deformação genética que ás vezes acompanha o diagnóstico.

Sabemos que o Brasil está muito mal preparado a nível terapêutico de assistência as crianças com Paralisia Cerebral, atrasos cognitivos, motores, síndromes e etc..

Vivemos em Londrina – PR, cidade referência em saúde, temos corpo médico que podemos
socorrer, ter terapias de estimulação e conhecimento. Mas imagino que situação caótica serão as mães do interior do Nordeste que não tem recursos e não tem a informação.

Desculpem será um caos mesmo.

E o BOOM do ZIKA ainda NEM chegou!!!! Espere o mês de Setembro e Outubro deste ano. Exatamente Nove meses depois do Carnaval, que os FILHOS DEFICIENTES vão nascer em massa.

E é previsível que o número de abortos aumentará, crianças deixadas na maternidade, crianças jogadas e todos os aspectos ruins da tal situação ainda veremos.. Não gostaria de ser tão pessimista mas a realidade é essa.

As pessoas não esta preparadas para a viagem a Holanda (leia o post viagem à Itália para entender a frase). As pessoas não estão preparadas para a diferença.

O sistema não está preparado para esses problemas de saúde pública. Aliás não estão preparados para nada, nem assistencialismo e muito menos para a assistência terapêutica.

Para se ter noção, estamos buscando um novo acessório para a VALENTINA, o andador PACER, que completo hoje está custando no BRASIL. R$ 16.000,00 …. SIMMMMM 16 MIL REAIS..

To passada, de queixo caindo, enlouquecida, ensandecida e a procura do tal andador e ainda pensando como iremos pagar um ITEM desses. Ainda não achei essa resposta.. Mas que vamos dar um jeito… ah isso sempre …. Mas não me perguntem como ainda.. Um dia postarei sobre isso… kkkk …

E ontem meu esposo fez o seguinte comentário: “Como as pessoas que não tem condições financeiras, podem dar os aparelhos de ajuda para as crianças”. E a resposta é simplista. NÃO DÃO. Simplesmente elas se deformam, ficam mal posicionadas e às vezes morrem antes do tempo por complicações de má postura e complicações gerais da deficiência. O sistema não ajuda. Uma órtese de pés pelo SUS demora em torno de 1 ano e meio para chegar. E quando chega não serve mais no pé da criança, pois eles crescem sabia Governo?? Uma banheira especial para banho demora 2 anos para chegar, quando ela chega. E aí como fazer???? E assim será cada dia pior … pois haverá mais demanda e o governo não dá nem conta do hoje imagina do futuro.

E vemos que a situação da MICROCEFALIA só vai piorar a cada dia.. Vamos ter mais população especial, menores condições assistencialistas e muitas dores emocionais familiares.

Masssssss …. Vamos ter também um NOVO e belo acontecer. UM NOVO AMOR vai Florescer. Muitas SUPERMÃES vão nascer. Virão várias (kriptonitas) tentando te desfalecer… Mas uma FORÇA BROTARÁ DO CORAÇÃO. E Te Fará NOVA.

E SINCERAMENTE espero que muitas FAMÍLIAS não se DESFAÇAM por causa do problema grave.. Mas espero que muito amor e sabedoria inundem os seres humanos. Que sejamos mais HUMANOS e solidários.

E desejemos a essa nova LEVA de SUPER MÃES que vão surgir, muita SERENIDADE E Amor redobrado.

E Bora vencer a batalha diária da diferença com o sorriso no rosto e ver a beleza da HOLANDA em meio aos caos do Brasil.

Um Beijo da Mamãe e sua Tulipa

Os “PITACOS” de DEUS

Os “PITACOS” de DEUS

É um tema bem bacana pois vivo de insigth´s ou mais claramente posso chamar de “pitacos” de DEUS.

Afff o que é isso??? São aqueles momentos que eu não esperava e vem soluções, estratégias, idéias brotando na cabeça e também pessoas inesperadas que aparecem para me ajudar.

Não sei se todo mundo é assim, mas lá em casa é bem comum isso… kkkk Minhã mãe é igual, aliás eu sou igual a ela. Né Manheeee..???

Bom antes mesmo de eu ter a Valentina, eu vivia recebendo os “pitacos” de DEUS. Normalmente eles acontecem durante as madrugadas ou quando durmo à tarde (ohhh saudades desses sonos da tarde).

Esses sonos incontroláveis que tenho quando há um problema ou situação nova que não sei ainda lidar, é o sinal de Deus. O dormir é uma forma de fuga, mas são nesses momentos que vejo Deus trabalhar.

Muitos podem falar que esses momentos fujona podem ter explicação psicológica e blá, blá, blá…. Mas eu acredito que O CARA lá de cima usa isso para eu me conectar com ele. São nos momentos de vulnerabilidade que vejo a ação PONTUAL dele.

Eu recebo muitos “pitacos” sobre todas as áreas, mas no casa da Valentina o CARA ele é fenomenal.

Desde de muito pequena. Deus me preparava para ser mãe de uma criança DIFERENTE. Só entendi isso muito tempo depois que Valentina nasceu.

Eu sempre tive contato com crianças diferentes, e muito amor por ela. E o meu primeiro contato relevante foi com o Helinho. Irmão de uma amiga de infância, a Maureen e sua família fantástica. Eu via aquele menino LINDO na bóia na piscina com a gente e sempre queria estar perto dele, mas eu tinha “medo” de não saber como lidar com ele e comigo mesma. Porém eu ficava perto, brincávamos pela casa mas eu sempre dava um jeitinho de olhar ele. E admirava como aqueles Pais cuidavam e amavam aquele menino DIFERENTE.

Lá Deus já me “pitacava” sobre como eu deveria ser como mãe.

Olha Tia Tânia você nem imaginava, mas vocês foram modelos para mim.  Obrigada por me ensinar a lidar com a diferença COM muito AMOR. O Helinho se foi no ano passado mas deixou histórias para nossa vida.

Ah, sem contar que tínhamos a Regina minha vizinha de frente, que até hoje não sei qual o diagnóstico dela, mas conversávamos com ela através do portão da sua casa. Ela no seu mundo introspectivo e alienado, com seus jornais e revistas na mão, dando voltas pela casa, e eu e minha irmã, brincávamos com ela dessa forma longe e perto. Nós tínhamos medo dela porque não sabíamos o que era. Porém ninguém nunca nos explicou sobre a diferença. Dona Corina, sua mãe, sempre atenciosa e paciente com a sua filha Regina. Dona Corina foi modelo também de mãe e paciência. Obrigada pela serenidade e paz a qual você me transmitia e até hoje transmite.

ENTÃO fica a DICA: PAIS CONVERSEM com seus filhos sobre a diferença, pesquisem falem, tirem o medo dos filhos, tirem medo de vocês. Expliquem de forma clara e objetiva, pois quando  falamos dizimamos dúvidas e medos inconscientes.

Depois tive uma amiga na escola, a Juliana que usava uma bota estranha pois ela tinha paralisia infantil,  o que não a impedia de correr igual moleque naquele Colégio Mãe de Deus.  Obrigada JU, por me ensinar que a limitação estava no meu olhar … Não nas suas pernas…

Também teve o Tiago, um síndrome de Down, que me amava. Esse até me perseguia quando chegávamos na casa de praia em Bombinhas – SC (kkkk), ele era nosso vizinho de frente. Ele me acordava todos os dias com carinho no rosto e me seguia ao caminhar na praia. Ah Tiago que papel importante você teve na construção do meus conceitos. Gratidão!!!

Hum… e o Marçal Marcel, filho da D. Gracinha, esse era o companheiro falante do cursinho. Cadeirante, inteligente, galante, bom de papo e muito safado (kkkk) …  Me ensinou a olhar a diferença sem diferença, além disso me ensinou matérias do cursinho kkkkk. Obrigada amigo, você já se foi…. mas desenvolveu seu papel para a minha caminhada e tenho certeza que você nos olha ai do céu… Valeu Cara!!!!!!

Nessa caminhada até me lembrei muito tempo depois do nascimento da Valentina, quando assistia a uma episódio de “ The Good Wife”, que adoro, onde teve uma cena que tinha um moço com PC(paralisia cerebral) que fazia parte do episódio, me de deu um estalo. Caraca até já “fiquei” com um moço em Camboriú que tinha PC. MEU DEUS!!!!! Obrigada pelo seu TRABALHAR.

Sobre esse caso em específico estou trabalhando o meu ser, pois tive alguns sentimentos sobre rejeição, vergonha e outros que um dia vou discorrer. Não estou preparada ainda. Estou sendo lapidada pois tenho medo desses sentimentos em relação ao que o mundo vai ter com a minha filha, ou melhor que o mundo já tem. Pois nem todas as pessoas são receptivas a diferença. Aliás são bem cruéis.

E o último antes de vir a Valentina, foi o Guilherme, um bebê lindo que me foi enviado como vizinho de porta. Carla, mãe do Gui, eu via a sua luta mas me perdoe não me aprofundei contigo…. Lembro-me o dia que o vi pela primeira vez no elevador, que notei algo de diferente, mas não sabia que era Down, mas meu coração se enchia de amor por ele.  Tivemos pouco contato mas amava quando eu abria a porta do apartamento estava ele sorrindo para mim, com o olhar mais lindo e singelo. GUI você está fazendo parte da nossa história garoto.. Obrigada!

Então DEUS estava me “PITACANDO” desde de muito nova sobre o MUNDO DIFERENTE. Hoje vivo a diferença tentando aproximar a nossa mais perto da NORMALIDADE possível, se é que isso existe, então acho melhor dizer assim perto dos PADRÕES impostos pela sociedade.

Só sei de uma coisa linda: Esse mundo HOLANDÊS  leiam o texto da Viagem a Itália ! para entender quando menciono a Holanda ..  Cheia de TULIPAS lindas precisam ser REGADAS, CUIDADAS e muito AMADAS.

Enfim, estamos visitando os Museus, as tabernas, as fazendas e apreciando a beleza da Holanda, como se eu estivesse na Itália. E aprendendo muito nesta terra DIFERENTE.

E Obrigada DEUS pelos PITACOS e que venha muito e muitos PITACOS em nossas vidas!!!!!!

Beijos Mi e sua Tulipinha

Viagem a Itália !

BEM VINDO À ITÁLIA!

“Freqüentemente me pedem para descrever a experiência de dar à luz uma criança portadora de necessidades especiais.  Eu diria assim:

Ter um bebê é como planejar uma fabulosa viagem de férias para a Itália. Você compra um monte de guias e faz planos maravilhosos: o Coliseu, o Davi de Michelangelo, as gôndolas em Veneza… Você até aprende algumas frases em italiano. É tudo muito excitante.
Após meses de antecipação, finalmente chega o grande dia.

Você arruma as malas e embarca. Algumas horas depois, você aterrissa. O comissário de bordo chega e diz: “Bem-vindo à Holanda!”.

Holanda? – diz você. O que quer dizer com Holanda? Eu escolhi a Itália! Eu devia ter chegado à Itália. Toda a minha vida eu quis conhecer a Itália!

Mas houve uma mudança no plano de vôo. Eles aterrissaram na Holanda e é lá que você deve ficar. O mais importante é que eles não levaram você para um lugar horrível e desagradável, com sujeira, fome e doença. É apenas um lugar diferente.

Você precisa sair e comprar outros guias. Deve aprender uma nova língua e irá encontrar pessoas que jamais imaginara. É apenas um lugar diferente. É mais baixo e menos ensolarado que a Itália. Mas, após alguns minutos, você pode respirar fundo e olhar ao redor.
Começa a notar que a Holanda tem moinhos de vento, tulipas e até Rembrandt e Van Gogh. Mas, todos os que você conhece estão indo e vindo da Itália, comentando a temporada maravilhosa que passaram lá.

Por toda a sua vida você dirá: Sim, era onde eu deveria estar. Era tudo o que eu havia planejado.

A dor que isso causa, nunca, nunca irá embora, porque a perda desse sonho é uma perda extremamente significativa.

No entanto, se passar toda a vida remoendo o fato de não ter chegado à Itália, nunca você estará livre para apreciar as coisas belas e muito especiais existentes na Holanda.”                  

Emily Perl Knisley

A primeira vez que li esse texto foi no consultório da Tia Marta (fisioterapeuta) da Valentina, fisio que faz desde os 45 dias de vida, aliás faz desde o dia que nasceu.  A Tia Marta é a pessoa de nível terapêutico que mais me ajudou  e ajuda ainda. Teremos o dia do post dela… e vocês conhecerão o ser incrível que ela é…

Mas vamos seguir ao texto.

Estava passando pelos piores dias da minha vida de cunho emocional. Com muitas descobertas, muitas fichas caindo, processo de passagem pelo luto do filho ideal para o filho real.. enfim.. o pó da bagaceira …. Um dia contarei algumas coisas que senti ao me  aprofundar em minha dor. Hoje não é dia de contar ainda…

O texto da viagem da Itália caiu como uma bomba…. EU QUERIA A ITÁLIA SIMMMMMM….. Ainda não conseguia ver a beleza da Holanda, mesmo sabendo que era linda… MAS QUERIA A ITÁLIA!!!!

AHHH como eu queria poder ir na Torre de PIZZA, como eu queria ser ” NORMAL”.

Eu queria que o tempo pudesse voltar e eu pudesse tomar outras decisões.

Mas enfim estava passando pela dor, pelo sofrimento, pelo pensar de como os outros iriam pensar, como eu iria encanar o mundo, os preconceitos…. etc, etc, etc……

Dores sem fim, culpa gigante, remorso imenso e uma mamaezite constante…

Total dualidade de sentimentos. Ao mesmo tempo que eu TINHA que correr contra o tempo pois ERA PRECISO muito estímulo. Eu me deparava com o sentimento de auto piedade que se enroscava em mim. Eu QUERIA A ITÁLIA!

Foi então que chorei, mas chorei e chorei mais um pouco e comecei a falar sobre meus sentimentos mais torpes, tristes, chatos e reais!!!!

Desculpe a hipocrisia de alguns, mas sim tive pensamentos RUINS e MAUS sim, que iam embora a cada choro e a cada sorriso que minha TULIPINHA cabeluda me dava.

Foi então, que TOMEI de volta as rédeas da minha vida, coloquei a dor de lado e comecei a luta interna de aceitação, mudança de visão, olhar o colorido da situação, olhar as tulipas de cores diferentes e os pintores exímios..

Foi aí que Mudei a forma de encarar a PARALISIA CEREBRAL.

Tema este em constante aprendizado e o será para a vida toda… A busca por informações, o conversar com as pessoas, outras mães e  ao abrir meu coração sobre a dor, as coisas começaram a desanuviar.

Comecei a olhar os casos positivos e vitoriosos, estava mudando meus valores, voltei a conversar com DEUS … por que eu havia Brigado com ele SIM….. Fiquei muito brava com ele, comigo, com Valentina e com o mundo… Enfim.. Fiquei mas já to reconciliada com a vida e com Deus!!!!  Vi que mesmo nas piores situações DEUS jamais nos desempara. Eu havia brigado com ele mas ele jamais brigou comigo. (Um dia vou detalhar a  minha experiência com Deus)

Com esse texto, mudei a minha visão TORPE E EQUIVOCADA sobre a Paralisia Cerebral (PC).. Vi que não é tudo igual, percebi que cada criança responde de uma forma e que cada lesão tem o seu ônus e OK!!!

A minha visão LIMITADA sobre PC me atava em ver o potencial da minha filha. A medida que mudei a minha forma de ver o diagnóstico mudei minha relação com ela e consegui vencer a minha barreira da ignorância e as mudanças internas e pessoais começaram a desabrochar.

AMPLIEI MEU MUNDO.

E Aprendi que a minha viagem a HOLANDA está muito melhor que a Itália!!!!!

E Viva a Holanda!!!!

Um super beijo… e vou regar a minha Tulipa!!!!